Patrocínio familiar para brasileiros
O patrocínio familiar corre em trilho próprio, totalmente separado dos sistemas de pontos que regem a imigração econômica. Aqui o seu score não importa; o seu relacionamento importa. Para brasileiros, duas coisas merecem ser sabidas antes de começar — a via de pais e avós está fechada a novos pedidos, e uma união estável brasileira não é automaticamente o que o Canadá entende por união de fato.
Pais e avós: a entrada está suspensa
Esta é a pergunta que mais ouvimos de clientes brasileiros, e a resposta mudou recentemente.
**Em 15 de julho de 2026, o IRCC suspendeu a entrada de novos pedidos de patrocínio no Parents and Grandparents Program.** Nenhum novo formulário de interesse em patrocinar está sendo convidado até segunda ordem, e nenhuma data de reabertura foi anunciada. Os pedidos já na fila seguem sendo processados.
Se você estava esperando a janela anual de interesse em patrocinar abrir, ela não está abrindo no calendário habitual. Planejar contando com uma entrada iminente seria um erro.
O que permanece disponível para pais e avós é o **super visa** — uma via de visitante de longa permanência que permite visitas prolongadas, não residência permanente. Exige seguro médico privado e comprovação de que o filho ou neto patrocinador atinge um limiar de renda. Não é residência permanente e não deve ser descrito como caminho para ela, mas, para uma família brasileira que quer um dos pais presente em um parto, em um ano de cuidado com as crianças ou em uma estadia longa, é a via que existe hoje.
Quando o programa reabrir, os patrocinadores precisarão comprovar a renda mínima necessária — o low income cut-off acrescido de trinta por cento — ao longo de três anos fiscais. Se você pretende patrocinar um dos pais algum dia, vale saber disso agora, porque a avaliação recai sobre anos fiscais já declarados e não pode ser corrigida retroativamente.
Cônjuges e companheiros: o que realmente se exige
O patrocínio de cônjuge e companheiro continua plenamente aberto, e é mais simples do que a maioria dos brasileiros imagina em um ponto importante.
**Não há exigência de renda mínima para patrocinar cônjuge ou companheiro.** Isso surpreende as pessoas, e o equívoco impede de se candidatar casais que teriam sido aprovados. A exceção é quando a pessoa patrocinada tem filhos dependentes próprios, o que introduz um teste de renda. Fora isso, o que importa é você não estar recebendo assistência social — ressalvado o auxílio por invalidez — e poder se comprometer a dar suporte financeiro ao seu parceiro durante a vigência do patrocínio.
Para patrocinar, é preciso ser cidadão canadense ou residente permanente, ter ao menos dezoito anos e morar no Canadá — ou, sendo cidadão residindo fora, comprovar que retornará ao Canadá quando o parceiro obtiver a residência permanente.
O Canadá reconhece três tipos de relação: **cônjuge** (legalmente casado), **companheiro de união de fato** (doze meses consecutivos de coabitação) e **parceiro conjugal** (categoria estreita para casais genuinamente impedidos de casar ou coabitar, que raramente se aplica a brasileiros, já que nenhum dos obstáculos costuma existir).
Um casamento celebrado no Brasil é reconhecido pelo Canadá desde que válido legalmente onde ocorreu. O casamento civil brasileiro é bem documentado e raramente causa dificuldade.
União estável não é automaticamente união de fato
Este é o mal-entendido mais consequente entre casais brasileiros, e custa processos.
A **união estável** é um status jurídico reconhecido no Brasil, e a *escritura de união estável* — o documento público lavrado em cartório — a formaliza. Os casais presumem, com alguma razão, que um documento declarando-os companheiros sob a lei brasileira estabelece a relação para fins canadenses.
**Por si só, não estabelece.** A definição canadense de união de fato é factual, não documental: vocês precisam ter vivido juntos continuamente por pelo menos doze meses. Um casal que assinou a escritura no mês passado não é companheiro de união de fato para fins de imigração canadense, por mais válida que a escritura seja no Brasil. Inversamente, um casal que de fato morou junto por dois anos pode se qualificar mesmo sem nunca ter assinado uma.
A implicação prática é sobre prova, não sobre status. Sua escritura é útil — corrobora a relação e mostra que vocês deram um passo formal —, mas não substitui a prova de doze meses de coabitação. Você ainda precisa dos contratos de aluguel, das contas conjuntas, da correspondência endereçada aos dois no mesmo endereço, cobrindo esse período.
Se vocês coabitam há menos de doze meses e não podem esperar, o casamento é a via que funciona. É uma decisão real, com consequências reais, e vale buscar orientação antes de agir.
Comprovar um relacionamento a quem nunca viu vocês
O agente que analisa o seu processo não conhece vocês e precisa decidir se a relação é genuína. Relacionamentos à distância e diferenças expressivas de idade ou origem atraem escrutínio adicional — não exatamente suspeita, mas exigência de mais provas.
**Monte o dossiê cronologicamente.** Mostre como se conheceram, como a relação se desenvolveu e que ela continuou. Registros de voo e carimbos de passaporte das visitas, mensagens ao longo de toda a relação e não de uma semana escolhida a dedo, fotos com outras pessoas e em ocasiões diferentes, não apenas retratos do casal.
**A interdependência financeira pesa.** Contas conjuntas, despesas compartilhadas, transferências entre vocês, indicação mútua como beneficiário. Para casais brasileiros em que um dos dois já está no Canadá, remessas regulares com comprovantes são prova útil.
**Envolva as famílias.** Declarações de pessoas que conhecem os dois, fotos com a família de cada um e evidência de que a relação é pública, não reservada — o que, na vida familiar brasileira, costuma não ser difícil demonstrar.
**Explique as lacunas em vez de deixá-las.** Se vocês passaram um ano sem se ver, diga por quê. Uma lacuna sem explicação parece pior do que uma documentada, e uma carta curta e objetiva junto ao processo é melhor do que torcer para que ninguém perceba.
Inland ou outland, e a questão do Quebec
Você pode apresentar o pedido de dentro do Canadá ou de fora, e a escolha tem consequências que a maioria dos casais não ouve falar.
Os pedidos **outland** são processados por um escritório de vistos e costumam ser os mais rápidos dos dois. Apesar do nome, é possível aplicar como outland estando fisicamente no Canadá. O candidato pode viajar durante o processamento, desde que mantenha status válido.
Os pedidos **inland** exigem que o parceiro patrocinado esteja no Canadá com status válido e permitem que ele peça uma permissão de trabalho aberta enquanto aguarda. Essa é a principal vantagem: poder trabalhar durante o processamento. As contrapartidas são um prazo mais longo e mais restrição a viagens, já que sair do Canadá pode comprometer um pedido inland.
**Se o patrocinador mora no Quebec, conte com um prazo sensivelmente maior.** O Quebec opera seu próprio processo de compromisso além do federal, e os prazos reportados para processos familiares destinados ao Quebec superam bastante os do restante do Canadá. Isso não é razão para evitar o Quebec, mas é razão para planejar em vez de descobrir depois.
Não publicamos prazos de processamento aqui porque eles mudam, variam por via, e os números divulgados descrevem o octogésimo percentil, não um caso típico. Consulte a ferramenta de prazos do IRCC para a sua via específica antes de planejar em torno de uma data.
Observação sobre exatidão
A suspensão da entrada de pais e avós entrou em vigor em 15 de julho de 2026, sem reabertura anunciada, e as regras de patrocínio familiar, os limiares de renda e os prazos mudam. Nada nesta página é prazo de processamento ou valor em dinheiro. Confirme a situação atual do programa em canada.ca antes de agir, especialmente na via de pais e avós, em que a posição pode mudar sem muito aviso.
Como os documentos brasileiros de relacionamento são avaliados em um processo canadense depende dos fatos da sua relação, e não dos documentos isoladamente, e esta é uma área em que a avaliação individual realmente importa. Esta é uma informação geral, não aconselhamento jurídico — Mila Lugovska, RCIC R515234, membro em situação regular do Colégio de Consultores de Imigração e Cidadania.
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